Murphy – o 13º passageiro

Desconfia-se que não há um santo protetor dos agentes de viagens (se há, que ninguém se manifeste. Prefiro viver na ignorância a descobrir um santo ineficiente). Partindo desta suposição, o regente que nos sobra é Ele, o Capitão do navio que afunda, o comandante que infarta em pleno voo, o jato Legacy que arranca nossas asas: Murphy.

De voo cancelado a lençol furado em hotel, tudo tem a ver com o agente de viagens. Eu poderia descrever as inúmeras histórias que já ouvi, os casos com que tive de lidar, as ligações tarde da noite ou super cedo num feriado. Mas esse incidente merece um post só dele: o oriental hispânico.

Imagine que você precisa vender R$ 1.000 pra ganhar R$ 10. E que uma letra errada pode custar um desconto de R$ 100 no fim do mês. Se qualquer erro na minha profissão dói no bolso, há de se entender por que peço aos passageiros uma série de confirmações, checagem de nome, data, voo, número do sapato, tipo de refeição preferida, entre outros detalhes. Mas isso não quer dizer que o cliente atende à minha solicitação. Dito isso, entenda: eu PEÇO encarecidamente aos passageiros que enviem cópia do passaporte para fazer qualquer reserva de bilhete internacional. E por quê?, você me pergunta. Porque o nome tem de estar igual ao documento e não pode ser alterado depois de emitido.

Entendido o esquema, vamos ao fatídico dia em que eu não recebi a cópia de um passaporte, mas recebi o nome, a data de nascimento e os pormenores do passageiro que me tiraria 10 anos de vida saudável em uma semana. Vamos chamá-lo de Ramon. Ramon Bruce Lee, para elucidar melhor. Era um oriental com o primeiro nome hispânico. Se eu achei estranho? É claro que eu achei, mas ele é naturalizado, digamos, no Paraguai, então pensei: trocou de nome, ou os pais deram esse nome pra ele, vai saber.

Bilhete emitido, dias depois recebi um e-mail informando que o Dom Ramon não havia embarcado por questões de saúde. Até aí, tudo normal. Normal porque adoecer e ter de alterar passagem é coisa de rotina na nossa vida. Mas eis que em seguida  recebi uma nova mensagem, do responsável pelo passageiro, avisando que o nome do sujeito NÃO ERA Ramon, só tinha o Bruce Lee nos documentos. E pra ajudar, era Lee Bruce, ainda tava invertido.

Uma dor começou a me subir pelos rins, chegando ao peito, no meu ouvido começou a tocar Apocalypse Please, e então eu entrei em contato com os que tinham me passado o nome errado. A resposta: ah, mas ele sempre embarca assim. Liguei pra companhia aérea, que disse: não embarca. Era uma executiva = grana preta, então sugeri: pedimos o reembolso… ao que atendente da companhia me responde: essa tarifa não é reembolsável. Como assim quase 20 paus e não é reembolsável, tá louca? – foi o que eu quis dizer, mas a voz não saiu. Engasguei. Meu estômago se retorcia pedindo pra sair pelo umbigo. Eu já comecei a cogitar o que eu poderia vender se tivesse de pagar por essa passagem. A alma. Nem a alma valeria isso tudo, e o capeta ainda poderia me pagar com cheque falso, ou a prestações com carnê. Se eu fosse a Rochelle, ele me pagaria em ticket-refeição.

Comecei a rezar, nem sei pra que santo, eu nem tinha um santo protetor pra me atender, oh my God. Chorei, pensei em pedir demissão, arranquei os cabelos com os dedos mindinhos. Me recompus, levei um tapa na cara e informei à empresa que havia solicitado o bilhete qual era a situação atual: temos um passageiro que não existe, emitido pra voar num voo caríssimo, sem direito a reembolso, e eu tenho quinze minutos de vida sã antes de quebrar tudo.

Depois de muita especulação, conversa dali e daqui, a secretária descolou a cópia do passaporte, eu inseri o nome correto no campo de dados de segurança do passageiro, contei os dias, horas, minutos, acessava a reserva do passageiro mais do que pobre checando o extrato da conta salário no dia de pagamento, e ele embarcou mesmo não sendo o Ramon. Foi e voltou em executiva, eu não tive de pagar nada a não ser a caixa de Omeprazol, e Murphy voltou a me amar de uma maneira menos destrutiva. Por enquanto.

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Tal como o Herbie 53

Caboclo tem uma manhã e tarde terríveis. Estresse total no trabalho. Antes de ir pro lar, resolve ir na casa do chapéu resolver uma conversa inacabada que teve logo cedo. Nó desfeito, hora de ir pra casa. Eis que o carro esquenta na Estrada Velha de Guarapuava. Chove pra todo lado. É o banho que o Golzinho pedia há meses.
Motorista percebe que tem uma padaria no caminho; resolver estacionar, a toda, como quem não quer nada. Nisso, o fumacê da água fervendo faz os clientes do estabelecimento levantarem correndo, obviamente com temor de uma explosão do automóvel desgovernado.
Condutor entra, toma um refrigerante e come um salgado, com cara de paisagem. “Quando o motor esfriar, pico a mula”. Minutos passam e chega a hora de testar a generosidade do Sujinho. Liga o motor, mas nada. Bora lá pedir pra dona do balcão um balde com água pra encher o refrigerador do carrinho.
Balde entornado, sem funil, no recipiente indicado. O carro pega, mas anda só alguns metros. O Desgraçado para em frente ao Cemitério do Jardim São Paulo. Dessa vez nem faz fumacê porque a água nem chegou a parar (vazou tudo direto pro asfalto). É a hora de aceitar a derrota e chamar o guincho.
Seguro acionado, Miserável já sobre a plataforma…, resta pedir uma carona pro cunhado. O João Malabares chega de prontidão para retribuir as tantas vezes que já foi socorrido. Entramos no possante do cunha, mas o carro (sim, a locomotiva do João), não pega. Bateria fritou. Novo fumacê. Um raio pode, sim, cair duas vezes na mesma avenida.
Às vezes, os carros parecem, realmente, ter vontade própria…
Enquanto os dois estão parados na Estrada Velha, o guincho começa a despontar no horizonte rumo ao centro levando o Almadiçoado do meu carro, que, não contente, dispara o alarme e pisca o farol e as sinaleiras. O ódio interior é forte, bem como a lembrança de uma cena clássica do cinema, aquele querido do Herbie 53 tirando um barato com seu dono. Nem precisa falar nada.

2011 – um Murphy em minha vida e todos os eletrônicos que comprei errado

O ano mal acabou e eu ainda não tenho do que reclamar, então vamos relembrar os fatos que marcaram esse ano maledeto peculiar que foi 2011.

Além do lançamento e, pior, do sucesso de “Ai, se eu te pego”, Murphy andou circundando o mundo pop sob diversos aspectos. Porque só Sua presença explicaria a saga Crepúsculo nos cinemas mais uma vez, com tanto entusiasmo dos adolescentes Restartianos.

Murphy também explica a suposta aposentadoria do Rubinho, aquele Barrichello, sem um campeonato depois de 42 anos de F1. E a presença de Murphy em 2011 também define mais um lançamento de Maria Gadú. Porque se alguma coisa deu errado no cenário da Música Popular Baiana, foi ela.

Obviamente eu não vim pra falar desse povo, mas deixem que eu solte um pouco a minha veia de crítica amargurada em coluna de blog antes de entrar no cerne da questão a que esta página web veio: 2011 – o ano em que o blog de Murphy nasceu.

Pra começar a retrospectiva 2011, na verdade eu preciso ir ao fim de 2010, pra então voltar ao futuro na minha Delorean mental e psicótica e contar como comprei o notebook que queima barrigas e frita ovos sem gordura e fumaça – o meu HP. OK, OK, ele me serve bem até hoje, mas quando efetuei a compra por módicos (que pra mim são uma fortuna) R$ 1300, eu pensava que estava a fazer um grande negócio, afinal, era um HP. Quando questionada a respeito do meu novo produto de interação com as massas no meio virtual, eu diria de peito estufado que era um HP, e não um Positivo ou um Itautec da vida. Até descobrir que ele esquentava feito um grill Black & Decker e sugava o tecido do meu edredom.

Daí por diante, o dedo podre dos eletrônicos criava vida e apontava pra minha cara, como que dizendo: Murphy wants YOU.  Nem precisava ligar na tomada ou custar R$ 40, se eu comprasse algum utensílio, podia ser uma lâmpada, que ela demoraria pra acender e queimaria na metade do tempo.  Isso, claro, além das vezes em que o chuveiro queimou enquanto eu estava no banho. E no inverno.

Ainda sobre a torradeira HP, o objetivo da compra do meu querido notezinho era, além de falar com minha mãe pelo MSN e economizar uns trocados com a conta de telefone – apesar de a minha mãe nunca estar online – era o de voltar a nutrir meus blogs com toda experiência e sabedoria desta que vos fala. Mas tantos rebuliços e coisas dando errado vieram que acabei, junto de minha comparsa Mayara, dando à luz este blog, porque já que estamos na merda com Murphy, que ao menos tiremos proveito e, quem sabe, algumas risadas dos leitores.

Como diz o ditado “fala no Diabo, aparece o rabo”, e desde então Murphy ganhou notoriedade em quaisquer pequenos atrasos – de vôos, de recebimentos de e-mails, de chegada de correspondência – e zicas de minha vida. E consumista que sou, não escapei de receber alguma influência do Onipresente também em minhas compras. Sapato que machuca o pé, etiqueta que dá alergia, tudo isso virou corriqueiro. Só que, maior era a quantia, em tamanho igual era a chance de zicar.

 

Escorrega da mão e oooops…

 

Aconteceu que resolvi presentear meu digníssimo com um monitor / TV. Lindo, com moldura transparente, toda aquela parafernalha HDMI, e até era em cores. O vendedor ainda nos convenceu a levar a garantia estendida. Tão felizes ficamos com a aquisição que logo chegamos em casa jogando o monitor antigo pra escanteio, até que…cadê o som? Eu, achando que, como era um monitor, não era pra ter som mesmo, acreditei que bastava ligar o fone e tava tudo certo. Ainda bem que o digníssimo é mais inteligente que eu e não se esqueceu de que se tratava de uma TV, portanto, deveria ter alto-falantes. Conclusão: defeito. Ou melhor, Murphy.  Algumas horas de fome, espera, conferência e uma atendente com cara de c* depois, trocamos a TV e fim de papo. Por enquanto.

Mas o verão no Paraná chega em setembro, então Murphy resolveu quebrar meu ventilador de madrugada, com um estrondoso nhec nhec nhec. Problema criado, já que nosso ventilador era daqueles de coluna e nós só achávamos os de mesa ou de teto. Pobres que somos, nada de ar condicionado. Continuamos correndo atrás de um ventilador até que encontramos um no Carrefour. Última peça, tava no mostruário, não tinha nem caixa. Mas a necessidade faz a gente pagar mico, e lá fomos nós, no meio daquele povo bonito, carregando o ventilador desmontado dentro de um carrinho. Ainda tivemos de esperar uma distinta senhora reclamar que pagou R$ 3,19 num queijo ralado cuja tabuleta de preço dizia custar R$ 2,89, pra poder apanhar a garantia do ventilador e fugir dali. O importante é que o ventilador foi testado na loja e tudo ia bem…até chegarmos em casa e descobrirmos que a peça que regula a altura da coluna não veio. Agora, leitores, me perguntem se eu voltei lá pra pedir a peça?

Feliz 2012.

Murphy News – A Lamborghini

Quais as chances de ser sorteado e ganhar uma Lamborghini? Mínimas, não é? (No meu caso, zero)

Pois é. Mas David Dopp (34) um caminhoneiro norte-americano “sortudo” (logo vocês entenderão o motivo das aspas) ganhou uma belezinha dessas num sorteio realizado durante um jogo de futebol americano, em Provo (Utah).

Obviamente, o cara ficou mais faceiro que gordo de camisa nova, e chamou o parentedo toda a família para dar umas voltinhas com o possante.

Se eu ganhasse um carro desses, teria medo de tirá-lo da garagem…

Mas, ele não contava com a astúcia de Murphy, que estava ali, prontinho para acabar com essa festa. Seis horas depois de ter sido sorteado, Dopp bateu a Lamborghini. Sim, meus caros, o carro valia nada mais nada menos que US$ 300 mil, e o lazarento do murphyano conseguiu batê-lo.

É como eu sempre digo: Quem nasce murphyano morre murphyano! Aí vocês vão me dizer: “mas ele teve sorte, ganhou um carrão”. E eu vou te dizer: não. Murphy apenas permitiu que ele ganhasse, pois, sádico que é, já tinha tudo planejado para causar a batida em seguida.

Era uma vez uma Lamborghini zerinho…

Agora, o que o pobre coitado vai fazer? Vender o carro. Por um valor muito inferior ao que valia antes da batida, é claro. “Já recebi ofertas. Vou vendê-lo. (…) Tenho contas mais importantes que uma Lamborghini, tenho uma família para sustentar”, justificou.

É, David Dopp, eu te entendo. Essa é minha vida, esse é meu clube – mas é claro que se fosse comigo eu teria ganhado, no máximo, um Novo Uno.

Pensando bem, eu não teria ganhado nada. Pensando melhor ainda, esse cara, no fim das contas, tem mais sorte do que eu, que nunca ganho nada nem em bingo de quermesse.

Murphy x a dona-de-casa – Reloaded

Costumeiramente, diz-se que, quando estamos com azar, é porque “levantamos com o pé esquerdo”. Superstições à parte, eu não acredito que meu dia seja definido pelo lado da cama pelo qual me levanto, ou por qual pé eu ponho primeiro no chão. A minha vida é dividida da seguinte forma: tem dias em que tudo dá errado e tem dias em que nada dá certo.

Já comentei aqui que me mudei recentemente e desde que resido no apartamento novo, tenho me esforçado ao máximo para dar conta de todos os afazeres domésticos de maneira que minha casa esteja sempre limpa, cheirosa e arrumada. Mas… (percebem que sempre tem um “mas”, né?) Murphy está sempre ali, vigilante, transformando meus dias em verdadeiras provas de resistência — e não ganho nenhum prêmio depois disso.

Dia desses, finalmente, comprei uma tábua de passar roupas. Cheguei em casa like a boss. “Agora, sim! Vou poder passar roupas sem ficar morrendo de dor nas costas depois!”, pensei — antes eu passava a roupa na mesa de jantar, que é muito baixa, o que prejudicava consideravelmente a minha coluna, que já é zoada, diga-se de passagem.

Pois bem, como uma boa dona-de-casa que sou, resolvi estrear minha nova aquisição. Passei aproximadamente umas oito peças de roupas até que (tcharãn!) vem Murphy, com sua mão invisível, dá um chacoalhão na tábua e consegue a façanha de me fazer derrubar meu ferro de passar novinho no chão! Claro que ele poderia ter simplesmente caído sem nenhum dano mais grave. Poderia só ter sofrido uns arranhões… Mas, não. Não comigo.

Um ferro de passar pode ser uma arma, na mão de pessoas não-habilitadas…

A queda rachou por dentro o reservatório de água. E, quando fui perceber, meu ferro de passar estava no chão me olhando com cara de forever alone e se afogando.

Nessa confusão toda — verifica se o ferro está inteiro / cuida para desligá-lo da tomada sem ser eletrocutada / enxuga o alagamento na casa —, quase esqueci no forno meu bolo de cenoura. Por um minuto ele não virou um grande pedaço de carvão.

Portanto, minha gente, não adianta levantar com o pé direito, evitar passar por baixo de escadas, desviar de gatos pretos, esfregar arruda na cara, se você tiver nascido sob a regência do Planeta Murphy.

Murphy Calça Quadrada em: Lavando o Carro





Quais as chances de uma pessoa destruir um carro ao lavá-lo? Ou melhor, quais as chances de se fazer isso com uma bucha, um aspirador de pó e água, na garagem de casa? Pense nas possibilidades…

Se o carro fosse meu, vá lá. Murphy anda comigo, não seria de se estranhar caso eu o incendiasse com o fio do aspirador. Mas felizmente o carro não é meu, o desastre não foi tão trágico. Por outro lado, o carro continua não sendo meu, o que quer dizer que alguém se ferrou por minha conta. E esse alguém foi ele, o digníssimo, o noivo azarado.

Era domingo, fui até o carro pra apanhar não sei o quê, e lá estava ela: a sujeira, esfregando na minha cara os cocôs de passarinho, os grãozinhos de terra, as florezinhas presas nas entranhas do banco de trás. Não me contive. Recolhi as ferramentas e parti pra cima!

Como eu ando numa vibe ecologicamente correta – cof! – resolvi que ia limpar tudo no braço mesmo, com um balde, uma esponjinha, um aspirador de pó e água. Teria como dar errado? Sim. Eu e minha insuficiência de ferro e vitamina B12 tivemos a grande ideia de usar uma Scotch Britte na limpeza das caquinhas decrépitas que ali habitavam…


Dentre as façanhas que só acontecem com essa que vos escreve (e com a Mayara), prendi o fio do aspirador de pó na roda traseira (please don’t ask me how), o que me fez crer que o carro se mexeu sozinho *enquanto eu limpava o freio de mão*. Em seguida, na tentativa de tirar o som do carro, o botão do rário misteriosamente sai na minha mão. Não bastasse isso, aspirei pedaços da tampa da caixa de som – eles estavam soltando, not my fault…e pra finalizar, meu esmalte do dia anterior estava embaçado e descascando. Mas o carro finalmente estava limpo.

Sujeira aspirada, cocôs lavados, tudo sequinho…e na segunda-feira, após um dia de orgulho por ter o possante brilhando, na hora de voltar pra casa: tcharam! Manchas. Manchas causadas pela parte amarela da esponja nos pontos onde eu esfreguei a titica. Além de não receber um agradecimento, ainda tomei um esporro. Economizei R$ 20 numa lavagem, perdi os R$ 20 que tinha gastado na manicure e só Murhy sabe quanto gastaremos em pintura.

Mais cagado que o carro, só a minha sorte.


Imagem: sempre dele, o azarado @mboitata

Murphyleuza, a diarista

A minha mudança para o apê não foi nada fácil. Claro, Murphy jamais me daria uma trégua. E nesse processo, surgiram muitas histórias que poderão oportunamente ser trazidas ao blog, para diversão de vocês, e minha infelicidade.

Mas, para mim, a mais simbólica de todas é a da diarista.

Depois de passada a pior fase da mudança e a casa já praticamente toda arrumada, namorido e eu resolvemos pegar uma diarista.

Eu sou totalmente meio pé atrás com empregada, mas precisava de uma, e na ilusão esperança de minimizar as chances de dar merda os riscos, peguei indicação com uma amiga, que tem uma diarista há anos. “Acho que essa é garantida”, pensei, num lapso de otimismo.

Primeiro dia dela: passei as instruções que precisava, mostrei a casa e fui trabalhar. Mal sabia eu o que me aguardava.

Ao chegar em casa, surpresa número um: ela já havia ido embora e deixado a chave com o porteiro. Já achei estranho, afinal, ainda eram 16h, e ela fora embora sem o pagamento.

Fui verificar a limpeza da casa e…

“We need lemon pledge!”

Foi quando veio a surpresa número dois: uma mancha no meu sofá novinho! Mas não era uma mancha, era uma puta mancha! E não era só uma puta mancha, era uma puta mancha de produto químico. E não era só uma puta mancha de produto químico (lemon pledge?), era uma puta mancha de produto químico que literalmente queimou o tecido!

Ou seja, na tentativa de impressionar na faxina, ela usou os produtos de limpeza mais fortes que havia na despensa (puros!!!) e deliberadamente derramou no chão. Numa dessas, sobrou uma esguichada no braço do sofá (já mencionei que é novinho, né?). Sofá esse que é objeto da minha paixão incontrolável, que ganhamos de presente dos meus pais, que eu sei que custou caro (como todo bom sofá hoje em dia), pois eu mesma escolhi, obviamente, e que tinha um mês de uso!

Bem, passada a depressão pós-traumática crise de choro, parti para uma solução. “Vou ligar para a fábrica, pedir para me mandarem um pedaço do tecido, depois mando numa estofaria reencapar”, planejei. Entrei em contato com a loja e eles intermediaram o contato com a fábrica, que é em outra cidade. No fim das contas, seria mais fácil (?) e barato (??) comprar um braço inteiro novo. Infalível, não? Bem… não para Murphy, o implacável.

Mais de um mês depois… recebo uma ligação da loja: “Senhora Mayara, a transportadora que trazia o braço do seu sofá, junto com outras encomendas, extraviou o braço”. Oi? Fiquei paralisada e quase não ouvi o resto da conversa.

Sim, meus preclaros, além de se fantasiar de diarista, Murphy, o incansável, ainda faz um bico como motorista de caminhão…

Ou seja, meu sofá novo continua manchado, sem previsão de “conserto”. E a faxina, que era para custar R$ 50, vai sair R$ 190 + muito estresse.

Ah, e vocês querem saber se eu matei a diarista? Não, não tive a oportunidade. Ela, misteriosamente, não quis mais trabalhar para mim. Fim.