Murphy x a dona-de-casa – Reloaded

Costumeiramente, diz-se que, quando estamos com azar, é porque “levantamos com o pé esquerdo”. Superstições à parte, eu não acredito que meu dia seja definido pelo lado da cama pelo qual me levanto, ou por qual pé eu ponho primeiro no chão. A minha vida é dividida da seguinte forma: tem dias em que tudo dá errado e tem dias em que nada dá certo.

Já comentei aqui que me mudei recentemente e desde que resido no apartamento novo, tenho me esforçado ao máximo para dar conta de todos os afazeres domésticos de maneira que minha casa esteja sempre limpa, cheirosa e arrumada. Mas… (percebem que sempre tem um “mas”, né?) Murphy está sempre ali, vigilante, transformando meus dias em verdadeiras provas de resistência — e não ganho nenhum prêmio depois disso.

Dia desses, finalmente, comprei uma tábua de passar roupas. Cheguei em casa like a boss. “Agora, sim! Vou poder passar roupas sem ficar morrendo de dor nas costas depois!”, pensei — antes eu passava a roupa na mesa de jantar, que é muito baixa, o que prejudicava consideravelmente a minha coluna, que já é zoada, diga-se de passagem.

Pois bem, como uma boa dona-de-casa que sou, resolvi estrear minha nova aquisição. Passei aproximadamente umas oito peças de roupas até que (tcharãn!) vem Murphy, com sua mão invisível, dá um chacoalhão na tábua e consegue a façanha de me fazer derrubar meu ferro de passar novinho no chão! Claro que ele poderia ter simplesmente caído sem nenhum dano mais grave. Poderia só ter sofrido uns arranhões… Mas, não. Não comigo.

Um ferro de passar pode ser uma arma, na mão de pessoas não-habilitadas…

A queda rachou por dentro o reservatório de água. E, quando fui perceber, meu ferro de passar estava no chão me olhando com cara de forever alone e se afogando.

Nessa confusão toda — verifica se o ferro está inteiro / cuida para desligá-lo da tomada sem ser eletrocutada / enxuga o alagamento na casa —, quase esqueci no forno meu bolo de cenoura. Por um minuto ele não virou um grande pedaço de carvão.

Portanto, minha gente, não adianta levantar com o pé direito, evitar passar por baixo de escadas, desviar de gatos pretos, esfregar arruda na cara, se você tiver nascido sob a regência do Planeta Murphy.

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Murphy x a dona-de-casa

Toda vez que eu me meto a besta tento fazer a dona-de-casa, Murphy intervém e transforma meus afazeres domésticos em verdadeiros desastres.

Murphy é tão obcecado, mas tão obcecado, que se manifesta até mesmo através de objetos inanimados, como facas, panelas ou máquinas de lavar.

Às vezes eu me pergunto se ele odeia donas-de-casa em geral ou tem como objetivo meramente me provar que eu não nasci pra coisa.

Não que eu faça muita questão de ser a própria Amélia 2.0, mas será que é pedir muito que, pelo menos, lavar a louça não fosse uma atividade cheia de surpresas?

E assim é minha vida: a tampa de vidro temperado (!!!) da máquina de lavar quebra e espalha os caquinhos nos lençóis que estão de molho, a pia da cozinha entope quando eu estou lavando a louça – ou, pior, a torneira estoura, causando um mini-tsunami em casa -, o ferro a vapor resolve soltar sujeira na roupa branca nova, e por aí se seguem infindáveis exemplos.

Eu sei que não sou a “senhora destreza” (estou mais pra “desastreza”), mas Murphy faz questão de dar um empurrãozinho – ou empurrãozão, dependendo do valor do objeto que tenho em mãos.

Minha sina é tanta que, até mesmo preparar um humilde tererê vira uma aventura digna de narração da Sessão da Tarde. “Mayara aprontará altas confusões com água, limão, gelo e erva-mate!!”, diria o cara cuja voz parece que ele está sempre sorrindo.

Mas, limão espirrado no olho e erva-mate esparramada pela casa à parte, para quem é Murphyana de “nascença” como eu, qualquer faxina de fim-de-semana é uma oportunidade e tanto para a Murphy aplicar sua lei mais infalível: “Se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a causar o maior estrago possível”.

Aliás, tudo isso costumava acontecer comigo antes, quando eu morava na casa dos meus pais. Agora, que tenho a minha própria casa, a situação se potencializou “um pouco”. Acompanhe os próximos capítulos posts da saga “a mudança”.