Chico, o tocador de can-can


*por Letícia Lichacovski

Eu tenho um Ford Ka, mas é estranho falar “meu carro”, porque eu, carinhosamente, o chamo de Chico. Fica mais agradável aos ouvidos, mais engraçado. E ficou… Eu e meu Chiquinho.

Na época desse fato que vou contar, o Chico tinha um dispositivo de segurança (chamávamos de “Trubisquinho”) que deveria estar dentro do carro, senão cortava a gasolina depois de dois minutos e meio. Já sentiram o drama, né?!

Óbvio que por várias vezes o trubisquinho ficou de fora e passávamos vergonha, porque acontecia o seguinte: Antes de cortar a gasolina, o Chico piscava todas as luzes possíveis. Em seguida, disparava o alarme, que era a pior parte, porque era um mashup de “Alarme tradicional de carro/Can-Can”. Nada legal… E só depois desse alarde todo é que não chegava mais o combustível.

Todos contextualizados, vamos ao que interessa: Tinha que pegar umas fotos na Avenida Brasil. Todo morador de Foz do Iguaçu sabe que dor de cabeça é estacionar na rua vermelha-desbotada. Por isso, meu digníssimo noivo estava dirigindo e eu desci, com a intenção de pegar as fotos. Enquanto isso, ele dava a volta na quadra… Fácil, só que não.

Simpático, né? Espere só até ele começar a tocar can-can…

Lá estava eu, com as fotos e já fora da loja quando vem o digníssimo, não “de Chico”, mas a pé, suado e ofegante: “Você… (respira) … esqueceu… (respira) … o trubisquinho na bolsa”. Na hora, saímos correndo na direção pela qual ele veio. A meio caminho, já ouvíamos o estridente som do “alarme-can-can”.

O digníssimo noivo teve que abandonar o Chico na subida da Avenida JK, em frente à Jauense, perto das seis horas da tarde… Não teve outra saída, ele não andava, afinal, a gasolina já tinha sido cortada. Vai fazer o que a não ser ir me buscar? Trancou o carro na chave e saiu correndo – e, não, o celular, para melhorar a situação, não funcionava.

Tinha ônibus parada atrás do Chico, motorista xingando, pedestre olhando sem entender nada e nós dois mais vermelhos do que qualquer coisa, de tanta vergonha. Entramos no carro correndo e, no momento em que Trubisquinho e Chico se encontraram, a paz voltou a reinar.

Só de raiva, aniquilamos o can-can e o dispositivo. Hoje temos outros meios, mais silenciosos e que não nos proporcionem o vexame total.

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Murphy, presente de Grego

Eu, enquanto agente de viagens, nunca dei a volta ao mundo. Mas f*dida que sou, gastei o mesmo tempo pra ir de Londrina a Atenas.

Você, leitor juvenil, que não sabia que eu fui pra Grécia…eu fui! E melhor, quase de graça. Digo quase porque paguei as “passagi”. Daí, como todo bom pobre, economizei, fiz três conexões, e, como diz minha chefe, na classe toco duro. Um dia e meio sem tomar banho, sem trocar de calcinha, sem dormir esticada, comendo comida de isopor, e lá estava eu, batendo cabeça na sala de espera em Londres. Às vezes penso que não existe falta de sorte, e sim castigo pra pobre.

Cansaço era coisa pequena, eu tinha de sofrer mais. Pensei, enquanto esperava pra embarcar no voo pra Atenas: chego lá, meu assento é na janela, vou dormir as quatro horas de viagem. Mas quando eu menos esperava, chega na sala de embarque um grupo de 50 crianças falando alto, atropelando os demais passageiros e fazendo o que melhor sabem fazer: serem crianças.

Rezei muito pra que eles não estivessem no mesmo voo que eu, mas é claro que estavam. Entrei no avião e tinha uma menina sentada no meu lugar. Deixei ela ficar lá e sentei na poltrona do corredor, mas mal fechei os olhos, me cutucaram: as menininhas do meu lado queriam me dizer, num inglês a la Royce Grace, que meus olhos eram bonitos. Oun, neah?! Oun nada, ficaram tagalerando e trocando de lugar a viagem toda. E a cada sacolejada na minha poltrona, uma delas me dizia: excuse me.

Imagine um bando de italianos falando. Os gregos fazem do mesmo jeito. Foram quatro horas de gritaria e correria pelos corredores, além da fila de espera na porta do banheiro. Mas eu cheguei. Eram quase duas da manhã e eu estava lá, em Atenas, meu amor.

Taí a prova.

Acho que Murphy ficou preso no meio da criançada, porque depois de chegar na Grécia tudo correu muito bem, obrigada. Fora o roaming e o Visa Travel Money que não funcionaram, aproveitei dias lindos de sol, com comida boa, paisagens paradisíacas e ainda foi confundida com uma russa, uma turca e uma européia qualquer. A Grécia é um país sem Murphy. Aliás, a Grécia é O país. Tudo aquilo que falam de ser um lugar lindo e romântico é verdade, ou melhor, é pinto perto do que se vê quando está lá. E falando em pinto, eles estão por todo lugar…de madeira, de vidro, em desenhos, porta-copos com posições do Kama Sutra – uma lou-cu-ra. Mas isso é assunto pra outro blog…

Na volta de Atenas pra Londres, ninguém veio sentado ao meu lado e eu dormi a viagem toda. Mas a Grécia foi tão encantadora que meu dia em Londres foi decepcionante. Andei feito uma mendiga, comi mal, gastei mais dinheiro num dia em Londres do que numa semana na Grécia e ainda fui maltratata pela garçonete no aeroporto. Mais um dia e meio sem banho, cheguei bem, porém fedida, ao Brasil. E tudo isso pra constatar que no dia seguinte Murphy já me esperava na cadeira do trabalho.

Tal como o Herbie 53

Caboclo tem uma manhã e tarde terríveis. Estresse total no trabalho. Antes de ir pro lar, resolve ir na casa do chapéu resolver uma conversa inacabada que teve logo cedo. Nó desfeito, hora de ir pra casa. Eis que o carro esquenta na Estrada Velha de Guarapuava. Chove pra todo lado. É o banho que o Golzinho pedia há meses.
Motorista percebe que tem uma padaria no caminho; resolver estacionar, a toda, como quem não quer nada. Nisso, o fumacê da água fervendo faz os clientes do estabelecimento levantarem correndo, obviamente com temor de uma explosão do automóvel desgovernado.
Condutor entra, toma um refrigerante e come um salgado, com cara de paisagem. “Quando o motor esfriar, pico a mula”. Minutos passam e chega a hora de testar a generosidade do Sujinho. Liga o motor, mas nada. Bora lá pedir pra dona do balcão um balde com água pra encher o refrigerador do carrinho.
Balde entornado, sem funil, no recipiente indicado. O carro pega, mas anda só alguns metros. O Desgraçado para em frente ao Cemitério do Jardim São Paulo. Dessa vez nem faz fumacê porque a água nem chegou a parar (vazou tudo direto pro asfalto). É a hora de aceitar a derrota e chamar o guincho.
Seguro acionado, Miserável já sobre a plataforma…, resta pedir uma carona pro cunhado. O João Malabares chega de prontidão para retribuir as tantas vezes que já foi socorrido. Entramos no possante do cunha, mas o carro (sim, a locomotiva do João), não pega. Bateria fritou. Novo fumacê. Um raio pode, sim, cair duas vezes na mesma avenida.
Às vezes, os carros parecem, realmente, ter vontade própria…
Enquanto os dois estão parados na Estrada Velha, o guincho começa a despontar no horizonte rumo ao centro levando o Almadiçoado do meu carro, que, não contente, dispara o alarme e pisca o farol e as sinaleiras. O ódio interior é forte, bem como a lembrança de uma cena clássica do cinema, aquele querido do Herbie 53 tirando um barato com seu dono. Nem precisa falar nada.

Os enviados de Murphy

Murphy, o onipresente, o onipotente, o onisciente, por mais poderoso que seja, não opera sozinho, é claro. Como um verdadeiro führer, tem uma legião de “soldados”, sempre a postos para garantir que nenhum evento potencialmente murphyano — ou seja, praticamente nenhum evento — escape de sua lei.

E esses enviados de Murphy estão em todos os lugares. Muitas vezes, você pode até não os reconhecer, mas eles estão sempre ali, vigilantes.

Esqueçam as escadas, os gatos pretos e toda essa balela de sexta-feira 13. Os verdadeiros agentes de Murphy agem diuturnamente, e à paisana.

No supermercado
Não se engane: aquele cara que estaciona no supermercado lotado ocupando duas vagas é, definitivamente, um agente murphyano.

Ah, e a moça do caixa, que passa suas compras errado e depois te faz esperar meia hora até um superior vir passar o cartãozinho para poder estornar, também.

Tem aquela pessoa que fica meia hora em frente à gôndola olhando sabe-se lá o que, como se não houvesse amanhã, e impede qualquer pessoa de pegar um mísero produto dali.

E tem as mães, que deixam seus filhos “pilotarem” desvairadamente os carrinhos, sempre em direção aos nossos mindinhos.

Tudo isso sem contar os repositores, que sempre posicionam estrategicamente as frutas de forma que você não consiga retirar uma sem derrubar o resto.

No transporte coletivo
Quem usa transporte coletivo sabe que esse é um assunto à parte. Renderia não um post, mas um livro. Afinal, é, sem dúvida alguma, a maior concentração de agentes murphyanos por metro quadrado. Começando pelos sem-noção que ouvem música no celular sem fone de ouvido! Nem preciso comentar, não é?

E aí sempre tem aquela pessoa malcheirosa, que parece nunca ter ouvido falar em desodorante. Ou aquele espaçoso, que insiste em ficar esbarrando nas pessoas. Ou aquela criatura insuportavelmente falante que puxa assunto com tudo e com todos às 7h da manhã. Fora aquele sujeitinho que, quando o ônibus chega ao ponto, empurra todo mundo para poder entrar primeiro.

No condomínio
Quem mora em condomínio — seja horizontal ou vertical — sempre passa por experiências murphyanas. Tipo aquela vizinha faladeira que, sempre que você está com pressa, resolve te parar e puxar os mais variados (e absurdos) assuntos.

Ou aquele outro vizinho, que não pode ver você recebendo um amigo em casa e logo liga para o síndico reclamando do “barulho”. Tem também o oposto: aquele que parece não fazer nada da vida, pois vive dando altas festas de arromba até as 3h da manhã em dia de semana — e foda-se você, que acorda cedo para trabalhar.

Mas, áreas de lazer e vizinhos chatos à parte, o lugar predileto dos enviados de Murphy é, sem sombra de dúvida, o elevador. Porque sempre tem alguém segurando o bendito quando você está atrasado. E sempre que você precisar sair rápido, haverá uma criança brincando de apertar todos os botões, fazendo-o parar em todos os andares.

Ou o elevador estará em manutenção, quando você chegar do supermercado com a compra do mês.

Obviamente, estes são apenas alguns exemplos de como agem os enviados de Murphy. Esse é o tipo de assunto que deverá ter continuação (se Murphy permitir, é claro). Quer contribuir com histórias murphyanas? Envie e-mail para murphydays@gmail.com e torça para seu computador não queimar.

Ai, se Murphy te pega!

Ai, se ele te pega…

Não se fala em outra coisa. “Ai, se eu te pego” é sucesso (sic) mundial. E essa é a maior prova de que a Lei de Murphy também se aplica à música: Se uma música muito ruim tiver a mínima chance de fazer sucesso, ela fará. E quanto pior for a música, mais rápido ela se propagará em escala global e propiciará ascensão meteórica a qualquer cantorzinho de karaokê de fundo de quintal.

A musa Lacraia

E quanto mais idiota for a letra, mais variações idiomáticas ela terá. E grudará na sua cabeça mais forte que carrapicho em tênis novo. E se espalhará mais rápido que piolho em jardim de infância. Toda e qualquer festa deverá tocar, ao menos, 15 vezes por hora. E todo mundo vai dançar o hit do momento. E crianças que mal sabem falar já estarão cantarolando “nóxa, nóxa, axim voxê me mata”, sem ao menos saber o que siginificam tais versos.

Mas, Michel Teló é um injustiçado. Nunca antes na história desse país odiou-se tanto um cantor. O que as massas não sabem, entretanto, é que ele é apenas mais um fantoche. Um mero figurante. Mais um testa-de-ferro da Murphy Records®. Um produto especialmente projetado para dominação das massas – e tortura da outra parte das massas, aquela que não suporta tal melodia.

Festa onde mesmo?

Porém, como toda “música” de péssima qualidade, seu tempo de validade é curto, e depois que passa a moda, nem parece que era tão ruim. Pois – não se iludam – logo surgirá outra do mesmo nível (ou, de preferência, pior) para substitui-la. Esta não é a primeira, e nem será a última. Ou, vão me dizer que esqueceram de “clássicos” como a Boquinha da Garrafa, Baba Baby, Festa no Apê, Eguinha Pocotó, Bom Xi Bom Xi Bom BomBom e tantos outros ícones da Shit Music?

Antigamente, a culpa era só do Faustão e do Gugu. Hoje, é também sua e de milhões de internautas que compartilham estas “preciosidades” e acabam, inconscientemente, trabalhando gratuitamente para o Rei Murphy na disseminação da MPB (Música PUTAQUEPARIU Brasileira).

2011 – um Murphy em minha vida e todos os eletrônicos que comprei errado

O ano mal acabou e eu ainda não tenho do que reclamar, então vamos relembrar os fatos que marcaram esse ano maledeto peculiar que foi 2011.

Além do lançamento e, pior, do sucesso de “Ai, se eu te pego”, Murphy andou circundando o mundo pop sob diversos aspectos. Porque só Sua presença explicaria a saga Crepúsculo nos cinemas mais uma vez, com tanto entusiasmo dos adolescentes Restartianos.

Murphy também explica a suposta aposentadoria do Rubinho, aquele Barrichello, sem um campeonato depois de 42 anos de F1. E a presença de Murphy em 2011 também define mais um lançamento de Maria Gadú. Porque se alguma coisa deu errado no cenário da Música Popular Baiana, foi ela.

Obviamente eu não vim pra falar desse povo, mas deixem que eu solte um pouco a minha veia de crítica amargurada em coluna de blog antes de entrar no cerne da questão a que esta página web veio: 2011 – o ano em que o blog de Murphy nasceu.

Pra começar a retrospectiva 2011, na verdade eu preciso ir ao fim de 2010, pra então voltar ao futuro na minha Delorean mental e psicótica e contar como comprei o notebook que queima barrigas e frita ovos sem gordura e fumaça – o meu HP. OK, OK, ele me serve bem até hoje, mas quando efetuei a compra por módicos (que pra mim são uma fortuna) R$ 1300, eu pensava que estava a fazer um grande negócio, afinal, era um HP. Quando questionada a respeito do meu novo produto de interação com as massas no meio virtual, eu diria de peito estufado que era um HP, e não um Positivo ou um Itautec da vida. Até descobrir que ele esquentava feito um grill Black & Decker e sugava o tecido do meu edredom.

Daí por diante, o dedo podre dos eletrônicos criava vida e apontava pra minha cara, como que dizendo: Murphy wants YOU.  Nem precisava ligar na tomada ou custar R$ 40, se eu comprasse algum utensílio, podia ser uma lâmpada, que ela demoraria pra acender e queimaria na metade do tempo.  Isso, claro, além das vezes em que o chuveiro queimou enquanto eu estava no banho. E no inverno.

Ainda sobre a torradeira HP, o objetivo da compra do meu querido notezinho era, além de falar com minha mãe pelo MSN e economizar uns trocados com a conta de telefone – apesar de a minha mãe nunca estar online – era o de voltar a nutrir meus blogs com toda experiência e sabedoria desta que vos fala. Mas tantos rebuliços e coisas dando errado vieram que acabei, junto de minha comparsa Mayara, dando à luz este blog, porque já que estamos na merda com Murphy, que ao menos tiremos proveito e, quem sabe, algumas risadas dos leitores.

Como diz o ditado “fala no Diabo, aparece o rabo”, e desde então Murphy ganhou notoriedade em quaisquer pequenos atrasos – de vôos, de recebimentos de e-mails, de chegada de correspondência – e zicas de minha vida. E consumista que sou, não escapei de receber alguma influência do Onipresente também em minhas compras. Sapato que machuca o pé, etiqueta que dá alergia, tudo isso virou corriqueiro. Só que, maior era a quantia, em tamanho igual era a chance de zicar.

 

Escorrega da mão e oooops…

 

Aconteceu que resolvi presentear meu digníssimo com um monitor / TV. Lindo, com moldura transparente, toda aquela parafernalha HDMI, e até era em cores. O vendedor ainda nos convenceu a levar a garantia estendida. Tão felizes ficamos com a aquisição que logo chegamos em casa jogando o monitor antigo pra escanteio, até que…cadê o som? Eu, achando que, como era um monitor, não era pra ter som mesmo, acreditei que bastava ligar o fone e tava tudo certo. Ainda bem que o digníssimo é mais inteligente que eu e não se esqueceu de que se tratava de uma TV, portanto, deveria ter alto-falantes. Conclusão: defeito. Ou melhor, Murphy.  Algumas horas de fome, espera, conferência e uma atendente com cara de c* depois, trocamos a TV e fim de papo. Por enquanto.

Mas o verão no Paraná chega em setembro, então Murphy resolveu quebrar meu ventilador de madrugada, com um estrondoso nhec nhec nhec. Problema criado, já que nosso ventilador era daqueles de coluna e nós só achávamos os de mesa ou de teto. Pobres que somos, nada de ar condicionado. Continuamos correndo atrás de um ventilador até que encontramos um no Carrefour. Última peça, tava no mostruário, não tinha nem caixa. Mas a necessidade faz a gente pagar mico, e lá fomos nós, no meio daquele povo bonito, carregando o ventilador desmontado dentro de um carrinho. Ainda tivemos de esperar uma distinta senhora reclamar que pagou R$ 3,19 num queijo ralado cuja tabuleta de preço dizia custar R$ 2,89, pra poder apanhar a garantia do ventilador e fugir dali. O importante é que o ventilador foi testado na loja e tudo ia bem…até chegarmos em casa e descobrirmos que a peça que regula a altura da coluna não veio. Agora, leitores, me perguntem se eu voltei lá pra pedir a peça?

Feliz 2012.

Murphy News – A Lamborghini

Quais as chances de ser sorteado e ganhar uma Lamborghini? Mínimas, não é? (No meu caso, zero)

Pois é. Mas David Dopp (34) um caminhoneiro norte-americano “sortudo” (logo vocês entenderão o motivo das aspas) ganhou uma belezinha dessas num sorteio realizado durante um jogo de futebol americano, em Provo (Utah).

Obviamente, o cara ficou mais faceiro que gordo de camisa nova, e chamou o parentedo toda a família para dar umas voltinhas com o possante.

Se eu ganhasse um carro desses, teria medo de tirá-lo da garagem…

Mas, ele não contava com a astúcia de Murphy, que estava ali, prontinho para acabar com essa festa. Seis horas depois de ter sido sorteado, Dopp bateu a Lamborghini. Sim, meus caros, o carro valia nada mais nada menos que US$ 300 mil, e o lazarento do murphyano conseguiu batê-lo.

É como eu sempre digo: Quem nasce murphyano morre murphyano! Aí vocês vão me dizer: “mas ele teve sorte, ganhou um carrão”. E eu vou te dizer: não. Murphy apenas permitiu que ele ganhasse, pois, sádico que é, já tinha tudo planejado para causar a batida em seguida.

Era uma vez uma Lamborghini zerinho…

Agora, o que o pobre coitado vai fazer? Vender o carro. Por um valor muito inferior ao que valia antes da batida, é claro. “Já recebi ofertas. Vou vendê-lo. (…) Tenho contas mais importantes que uma Lamborghini, tenho uma família para sustentar”, justificou.

É, David Dopp, eu te entendo. Essa é minha vida, esse é meu clube – mas é claro que se fosse comigo eu teria ganhado, no máximo, um Novo Uno.

Pensando bem, eu não teria ganhado nada. Pensando melhor ainda, esse cara, no fim das contas, tem mais sorte do que eu, que nunca ganho nada nem em bingo de quermesse.